A presbiopia, popularmente conhecida como vista cansada, atinge praticamente todas as pessoas a partir dos 40 anos. Com o avanço da tecnologia, hoje existem várias opções cirúrgicas para corrigi-la — mas qual delas oferece o melhor resultado em satisfação, qualidade de visão e segurança? Neste artigo, apresento um comparativo científico baseado em literatura revisada por pares entre as principais técnicas: Presbyond, READ, Supracor, PresbyLASIK, PresbyMAX e Troca de Cristalino Transparente (RLE).
O que está em jogo na escolha da técnica
Antes de comparar números, é importante entender quais desfechos clínicos realmente importam. Em quase 20 anos realizando cirurgias refrativas, aprendi que o paciente avalia o resultado em seis dimensões fundamentais:
- Satisfação geral com a cirurgia
- Acuidade visual para longe — dirigir, assistir TV, esportes
- Acuidade visual para perto — ler, usar celular
- Sensibilidade ao contraste — qualidade da visão em ambientes de baixa luz
- Estereopsia — visão tridimensional, profundidade
- Independência de óculos e segurança a longo prazo
Se você quer entender o conceito antes de seguir, recomendo a leitura da página principal: Presbyond — Presbiopia (vista cansada) tem cura?
Satisfação do paciente: Presbyond lidera
A satisfação é o desfecho mais relevante a longo prazo. Estudos publicados mostram que o Presbyond Laser Blended Vision atinge índices de satisfação consistentemente acima de 90%, incluindo populações altamente exigentes como pilotos de aviação.

Já técnicas com multifocalidade corneana simétrica (Supracor e PresbyLASIK clássico) apresentam taxas mais baixas devido a maior presença de fenômenos como halos e ofuscamento. A monovisão com aumento da asfericidade em um dos olhos (READ), apesar de boa para alguns pacientes, tem taxa de satisfação ao redor de 72%.
Para uma análise direta entre as duas técnicas mais procuradas, leia: Cirurgia para Presbiopia: Presbyond x READ — qual a melhor opção?
Acuidade visual: longe e perto sem comprometer um ou outro
Aqui está um dos grandes diferenciais do Presbyond. Enquanto outras técnicas precisam “trocar” qualidade de longe por perto (ou vice-versa), o Presbyond mantém 92% dos pacientes com 20/20 binocular para longe e 85% com J2 ou melhor para perto. Isso porque a técnica não cria multifocalidade abrupta na córnea — utiliza uma micro diferença com aumento controlado do foco em ambos os olhos (em linguagem técnica: microanisometropia com aumento controlado da aberração esférica).

O Supracor, por exemplo, apresenta perda de linhas de acuidade corrigida (CDVA) em até 12% dos olhos, segundo estudo publicado no PubMed. O PresbyMAX simétrico tende a sacrificar a visão de longe.
Sensibilidade ao contraste: a vantagem mais característica do Presbyond
Esta é a métrica que separa o Presbyond das demais técnicas. A revisão sistemática de Czajka et al. (2025), publicada no Journal of Clinical Medicine, analisou 13 estudos com 1.712 olhos e concluiu que:
“O Presbyond Laser Blended Vision preserva (ou mesmo melhora) a sensibilidade ao contraste, enquanto PresbyLASIK simétrico, LASIK guiado por wavefront e monovisão asférica mostraram redução significativa.”

Na prática, isso significa melhor visão noturna, ao dirigir, em cinemas e em ambientes de baixa iluminação — algo que pacientes que se submetem a multifocais (corneanas ou intraoculares) frequentemente reclamam.
Perfil multidimensional: a análise integrada
Quando avaliamos oito dimensões clínicas em conjunto, fica claro que o Presbyond é a única técnica com perfil simétrico e amplo, sem pontos fracos pronunciados:

As demais técnicas apresentam trade-offs claros:
- READ: forte em longe e segurança, porém fraca em estereopsia
- RLE (troca de cristalino): excelente para perto, mas com risco cirúrgico intraocular
- Supracor: compromete contraste e tem alta taxa de retratamento
- PresbyLASIK simétrico: induz aberrações coreais e reduz sensibilidade ao contraste
Painel comparativo consolidado
Aqui é possível visualizar as diferenças. Verde escuro indica desempenho excelente (≥90%), verde claro muito bom (80-89%), amarelo aceitável (70-79%) e laranja desempenho limitado (<70%):

Indicações e limitações por técnica
| Técnica | Indicação ideal | Principais limitações |
|---|---|---|
| Presbyond LBV (ZEISS MEL 90) | Pacientes 45-65 anos, ametropias de -8,75 a +5,75 D, exigência visual alta (pilotos, motoristas, esportistas) | Período de neuroadaptação 3-6 meses; resultado depende de teste de tolerância à monovisão pré-operatório |
| PresbyMAX Hybrid (Schwind) | Hipermetrópicos présbitas com pouca tolerância à monovisão | Drift hipermetrópico de 0,1–0,4 D/ano; perda de linhas de CDVA em até 25% no early postop |
| Supracor (Technolas / Bausch & Lomb) | Hipermetrópicos présbitas com adição moderada | Taxa de retratamento de até 42%; perda de CDVA em ~12%; flutuação visual |
| PresbyLASIK simétrico | Casos selecionados em centros com experiência | Redução significativa de sensibilidade ao contraste; menor satisfação que técnicas modernas |
| READ | Pacientes com tolerância prévia à monovisão (lentes de contato) | Comprometimento de estereopsia e contraste binocular; intolerância em ~10-15% |
| Troca de Cristalino Transparente (RLE) | Présbitas hipermetropes >55 anos, com sinais iniciais de cristalino | Risco de descolamento de retina (1:147 em altos míopes), opacificação capsular (até 50% em 5 anos), perda permanente de visão ~1:500 |
Por que o Presbyond se destaca
Em resumo, o Presbyond reúne seis vantagens estruturais que explicam seu desempenho superior:
- Sem multifocalidade corneana abrupta — utiliza perfil asférico que aumenta de forma controlada a aberração esférica negativa, ampliando a profundidade de foco sem disfotopsias.
- Visão intermediária otimizada — o que falta na monovisão tradicional (que tem um olho apenas para perto e outro apenas para longe). Desse modo, é preferida por mais de 95% dos pacientes.
- Preservação da estereopsia — diferente da monovisão clássica, mantém fusão binocular eficaz.
- Sensibilidade ao contraste mantida — confirmado por revisão sistemática de 2025.
- Reversibilidade e retratamento simples — ajustes posteriores são tecnicamente mais previsíveis.
- Aplicável a ampla faixa refrativa — validado de -8,75 D a +5,75 D, incluindo emetropes présbitas.
Conclusão
O Presbyond Laser Blended Vision representa, segundo a evidência científica atual, a opção mais equilibrada para correção cirúrgica da presbiopia em pacientes sem catarata. Preserva a sensibilidade ao contraste e a estereopsia — diferenciais ausentes em técnicas multifocais corneanas tradicionais e na troca de cristalino transparente. Assim, apresenta a maior taxa de satisfação reportada na literatura.
Cada paciente, no entanto, é único. A indicação cirúrgica deve sempre ser personalizada após avaliação completa, considerando idade, refração, anatomia ocular, expectativas e estilo de vida. Se você está considerando uma cirurgia para presbiopia, agende sua avaliação para discutirmos qual técnica é a mais adequada para o seu caso.
Referências científicas
- Czajka MP, Frajdenberg A, Stopa M, Pawlowski B. Contrast sensitivity and stereopsis after laser presbyopia treatment — a systematic review. J Clin Med, 2025.
- Reinstein DZ, Carp GI, Archer TJ et al. Presbyond Laser Blended Vision in Pilots — patient satisfaction studies. ZEISS Clinical Whitepaper.
- Pajic B et al. Multifocal corneal ablation (Supracor) in hyperopic presbyopia. 2017.
- Russo A, Filini O et al. Retreatment Rate Following Supracor Treatment of Hyperopic Presbyopia. J Clin Exp Ophthalmol, 2016.
- Holland D, Bründer MC, Auffarth GU et al. Visual Outcomes and Patient Satisfaction After Bilateral Refractive Lens Exchange — RayOne Trifocal IOL. J Refract Surg, 2024.
- Roszkowska AM et al. Early outcomes of two treatment modes of presbyLASIK. Clinical Ophthalmology, 2022.
