dr hallim feres neto presbyond presbiopia
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Presbyond vs READ, Supracor, PresbyLASIK e Troca de Cristalino: Comparativo Científico

A presbiopia, popularmente conhecida como vista cansada, atinge praticamente todas as pessoas a partir dos 40 anos. Com o avanço da tecnologia, hoje existem várias opções cirúrgicas para corrigi-la — mas qual delas oferece o melhor resultado em satisfação, qualidade de visão e segurança? Neste artigo, apresento um comparativo científico baseado em literatura revisada por pares entre as principais técnicas: Presbyond, READ, Supracor, PresbyLASIK, PresbyMAX e Troca de Cristalino Transparente (RLE).

O que está em jogo na escolha da técnica

Antes de comparar números, é importante entender quais desfechos clínicos realmente importam. Em quase 20 anos realizando cirurgias refrativas, aprendi que o paciente avalia o resultado em seis dimensões fundamentais:

  • Satisfação geral com a cirurgia
  • Acuidade visual para longe — dirigir, assistir TV, esportes
  • Acuidade visual para perto — ler, usar celular
  • Sensibilidade ao contraste — qualidade da visão em ambientes de baixa luz
  • Estereopsia — visão tridimensional, profundidade
  • Independência de óculos e segurança a longo prazo

Se você quer entender o conceito antes de seguir, recomendo a leitura da página principal: Presbyond — Presbiopia (vista cansada) tem cura?

Satisfação do paciente: Presbyond lidera

A satisfação é o desfecho mais relevante a longo prazo. Estudos publicados mostram que o Presbyond Laser Blended Vision atinge índices de satisfação consistentemente acima de 90%, incluindo populações altamente exigentes como pilotos de aviação.

Gráfico comparativo de satisfação do paciente entre Presbyond, PresbyMAX, Supracor, PresbyLASIK, monovisão e troca de cristalino transparente
Figura 1 — Satisfação do paciente: Presbyond apresenta os maiores índices entre todas as técnicas avaliadas (96%).

Já técnicas com multifocalidade corneana simétrica (Supracor e PresbyLASIK clássico) apresentam taxas mais baixas devido a maior presença de fenômenos como halos e ofuscamento. A monovisão com aumento da asfericidade em um dos olhos (READ), apesar de boa para alguns pacientes, tem taxa de satisfação ao redor de 72%.

Para uma análise direta entre as duas técnicas mais procuradas, leia: Cirurgia para Presbiopia: Presbyond x READ — qual a melhor opção?

Acuidade visual: longe e perto sem comprometer um ou outro

Aqui está um dos grandes diferenciais do Presbyond. Enquanto outras técnicas precisam “trocar” qualidade de longe por perto (ou vice-versa), o Presbyond mantém 92% dos pacientes com 20/20 binocular para longe e 85% com J2 ou melhor para perto. Isso porque a técnica não cria multifocalidade abrupta na córnea — utiliza uma micro diferença com aumento controlado do foco em ambos os olhos (em linguagem técnica: microanisometropia com aumento controlado da aberração esférica).

Comparativo de acuidade visual de longe (UDVA) e de perto (UNVA) entre as principais técnicas para presbiopia
Figura 2 — O Presbyond combina alta performance em ambas as distâncias, sem o comprometimento das técnicas multifocais corneanas tradicionais.

O Supracor, por exemplo, apresenta perda de linhas de acuidade corrigida (CDVA) em até 12% dos olhos, segundo estudo publicado no PubMed. O PresbyMAX simétrico tende a sacrificar a visão de longe.

Sensibilidade ao contraste: a vantagem mais característica do Presbyond

Esta é a métrica que separa o Presbyond das demais técnicas. A revisão sistemática de Czajka et al. (2025), publicada no Journal of Clinical Medicine, analisou 13 estudos com 1.712 olhos e concluiu que:

O Presbyond Laser Blended Vision preserva (ou mesmo melhora) a sensibilidade ao contraste, enquanto PresbyLASIK simétrico, LASIK guiado por wavefront e monovisão asférica mostraram redução significativa.”

Gráfico de barras horizontais mostrando a preservação da sensibilidade ao contraste após cirurgia para presbiopia
Figura 3 — Preservação da sensibilidade ao contraste em relação ao pré-operatório. Presbyond preserva 98% — virtualmente sem impacto clínico.

Na prática, isso significa melhor visão noturna, ao dirigir, em cinemas e em ambientes de baixa iluminação — algo que pacientes que se submetem a multifocais (corneanas ou intraoculares) frequentemente reclamam.

Perfil multidimensional: a análise integrada

Quando avaliamos oito dimensões clínicas em conjunto, fica claro que o Presbyond é a única técnica com perfil simétrico e amplo, sem pontos fracos pronunciados:

Gráfico radar comparativo das oito dimensões clínicas entre as técnicas para correção da presbiopia, com Presbyond destacado
Figura 4 — Quanto maior a área coberta no radar, melhor o perfil global da técnica. O Presbyond cobre área superior em todos os eixos.

As demais técnicas apresentam trade-offs claros:

  • READ: forte em longe e segurança, porém fraca em estereopsia
  • RLE (troca de cristalino): excelente para perto, mas com risco cirúrgico intraocular
  • Supracor: compromete contraste e tem alta taxa de retratamento
  • PresbyLASIK simétrico: induz aberrações coreais e reduz sensibilidade ao contraste

Painel comparativo consolidado

Aqui é possível visualizar as diferenças. Verde escuro indica desempenho excelente (≥90%), verde claro muito bom (80-89%), amarelo aceitável (70-79%) e laranja desempenho limitado (<70%):

Painel comparativo em formato semáforo mostrando o desempenho de cada técnica nas oito dimensões clínicas
Figura 5 — O Presbyond apresenta classificação Excelente em sete das oito dimensões avaliadas — único na categoria.

Indicações e limitações por técnica

TécnicaIndicação idealPrincipais limitações
Presbyond LBV (ZEISS MEL 90)Pacientes 45-65 anos, ametropias de -8,75 a +5,75 D, exigência visual alta (pilotos, motoristas, esportistas)Período de neuroadaptação 3-6 meses; resultado depende de teste de tolerância à monovisão pré-operatório
PresbyMAX Hybrid (Schwind)Hipermetrópicos présbitas com pouca tolerância à monovisãoDrift hipermetrópico de 0,1–0,4 D/ano; perda de linhas de CDVA em até 25% no early postop
Supracor (Technolas / Bausch & Lomb)Hipermetrópicos présbitas com adição moderadaTaxa de retratamento de até 42%; perda de CDVA em ~12%; flutuação visual
PresbyLASIK simétricoCasos selecionados em centros com experiênciaRedução significativa de sensibilidade ao contraste; menor satisfação que técnicas modernas
 READPacientes com tolerância prévia à monovisão (lentes de contato)Comprometimento de estereopsia e contraste binocular; intolerância em ~10-15%
Troca de Cristalino Transparente (RLE)Présbitas hipermetropes >55 anos, com sinais iniciais de cristalinoRisco de descolamento de retina (1:147 em altos míopes), opacificação capsular (até 50% em 5 anos), perda permanente de visão ~1:500

Por que o Presbyond se destaca

Em resumo, o Presbyond reúne seis vantagens estruturais que explicam seu desempenho superior:

  1. Sem multifocalidade corneana abrupta — utiliza perfil asférico que aumenta de forma controlada a aberração esférica negativa, ampliando a profundidade de foco sem disfotopsias.
  2. Visão intermediária otimizada  — o que falta na monovisão tradicional (que tem um olho apenas para perto e outro apenas para longe). Desse modo, é preferida por mais de 95% dos pacientes.
  3. Preservação da estereopsia — diferente da monovisão clássica, mantém fusão binocular eficaz.
  4. Sensibilidade ao contraste mantida — confirmado por revisão sistemática de 2025.
  5. Reversibilidade e retratamento simples — ajustes posteriores são tecnicamente mais previsíveis.
  6. Aplicável a ampla faixa refrativa — validado de -8,75 D a +5,75 D, incluindo emetropes présbitas.

Conclusão

O Presbyond Laser Blended Vision representa, segundo a evidência científica atual, a opção mais equilibrada para correção cirúrgica da presbiopia em pacientes sem catarata. Preserva a sensibilidade ao contraste e a estereopsia — diferenciais ausentes em técnicas multifocais corneanas tradicionais e na troca de cristalino transparente. Assim, apresenta a maior taxa de satisfação reportada na literatura.

Cada paciente, no entanto, é único. A indicação cirúrgica deve sempre ser personalizada após avaliação completa, considerando idade, refração, anatomia ocular, expectativas e estilo de vida. Se você está considerando uma cirurgia para presbiopia, agende sua avaliação para discutirmos qual técnica é a mais adequada para o seu caso.

Referências científicas

  1. Czajka MP, Frajdenberg A, Stopa M, Pawlowski B. Contrast sensitivity and stereopsis after laser presbyopia treatment — a systematic review. J Clin Med, 2025.
  2. Reinstein DZ, Carp GI, Archer TJ et al. Presbyond Laser Blended Vision in Pilots — patient satisfaction studies. ZEISS Clinical Whitepaper.
  3. Pajic B et al. Multifocal corneal ablation (Supracor) in hyperopic presbyopia. 2017.
  4. Russo A, Filini O et al. Retreatment Rate Following Supracor Treatment of Hyperopic Presbyopia. J Clin Exp Ophthalmol, 2016.
  5. Holland D, Bründer MC, Auffarth GU et al. Visual Outcomes and Patient Satisfaction After Bilateral Refractive Lens Exchange — RayOne Trifocal IOL. J Refract Surg, 2024.
  6. Roszkowska AM et al. Early outcomes of two treatment modes of presbyLASIK. Clinical Ophthalmology, 2022.

Dr. Hallim Féres Neto

Formado em Medicina pela Faculdade de Medicina do ABC em 2004, Residência em Oftalmologia pela Faculdade de Medicina do ABC em 2007 e especialização em Gestão em Saúde no Insper em 2015. É Cirurgião de segmento anterior no Hospital Israelita Albert Einstein desde 2010 Possui especialidade em: Cirurgia Refrativa, Catarata, Ceratocone e Adaptação de Lente de Contato

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