dr hallim feres neto presbyond presbiopia
dr hallim feres neto presbyond presbiopia

Resumo

Essa é uma ampliação do estudo comparativo que fiz quando chegou a minha hora de ser operado.

O Presbyond tende a se destacar quando o objetivo é combinar visão de longe, intermediária e de perto preservando a qualidade visual — e é, hoje, a técnica com a base de evidência mais ampla e mais replicada. READ, Supracor, PresbyMAX e troca de cristalino também têm bons resultados publicados, mas medidos sob critérios menos exigentes.

Presbyond é o que oferece a melhor relação entre satisfação e embasamento científico.

A presbiopia, popularmente conhecida como vista cansada, atinge praticamente todas as pessoas a partir dos 40 anos. Com o avanço da tecnologia, hoje existem várias opções cirúrgicas para corrigi-la — mas qual delas oferece o melhor resultado em satisfação, qualidade de visão e segurança? Neste artigo apresento um comparativo entre as principais técnicas — Presbyond, READ, Supracor, PresbyLASIK, PresbyMAX e troca de cristalino transparente (RLE) — usando apenas números que constam de estudos revisados por pares, com a fonte de cada um identificada.

O que está em jogo na escolha da técnica

Antes de comparar números, é importante entender quais desfechos clínicos realmente importam. Em quase 20 anos realizando cirurgias refrativas, aprendi que o paciente avalia o resultado em seis dimensões:

  • Acuidade visual para longe — dirigir, assistir TV, esportes
  • Acuidade visual para perto — ler, usar celular
  • Sensibilidade ao contraste — qualidade da visão em ambientes de baixa luz
  • Estereopsia — visão tridimensional, noção de profundidade
  • Segurança e previsibilidade a longo prazo
  • Satisfação geral com a cirurgia e independência de óculos

Comparar estudos não é simples: cada estudo mede essas dimensões com critérios diferentes. Um trabalho que relata “96% de bons resultados de longe” usando o critério 20/25 não está dizendo a mesma coisa que outro que relata 95% usando 20/20. Por isso, ao longo do texto, optei por colocar o critério de cada estudo explicitamente ao lado do número.

Se você quer entender o conceito da correção a laser para presbiopia antes de seguir, recomendo a leitura da página principal: Presbyond — Presbiopia (vista cansada) tem cura?

E para ler uma análise direta entre as duas técnicas mais procuradas, leia: Cirurgia para Presbiopia: Presbyond x READ — qual a melhor opção?

Satisfação e independência de óculos

A satisfação é o desfecho mais relevante a longo prazo, e também o mais difícil de comparar entre estudos, porque cada um pergunta uma coisa diferente. O gráfico abaixo mostra o que cada trabalho de fato mediu.

Gráfico de satisfação e independência de óculos após Presbyond, PresbyMAX, Supracor, PresbyLASIK e READ
Figura 1 — Satisfação e independência de óculos relatadas em cada série publicada, com o número de olhos, o seguimento e o desfecho exato medido.

Nos 23 pilotos comerciais e militares operados com Presbyond e acompanhados por 12 meses no estudo de Reinstein e colaboradores (2023), todos recuperaram a certificação aeromédica Classe 1 e voltaram a voar, e todos relataram melhora funcional em relação ao método de correção anterior. Na série australiana de Wong e colaboradores (2026), com 250 olhos, 94,4% relataram melhora da função visual e menor dependência de óculos já após o primeiro tratamento (detalhe: após um retoque, a satisfação chegou a 98,8% no grupo míope e 100% no grupo hipermétrope).

O Supracor aparece nos dois extremos, e isso é informativo: 96% dos pacientes de Ryan e O’Keefe (2013) se disseram felizes por terem feito a cirurgia aos 6 meses, mas apenas 75% dos pacientes de Schlote e Heuberger (2016) acompanhados por 12 meses repetiriam o procedimento — os autores atribuem a diferença a ofuscamento, flutuação visual e perda de visão de longe, efeitos que pesam mais na satisfação do que o ganho de leitura sem óculos.

Sobre o READ, a série de Gatinel e colaboradores (2016), a única publicada sobre a técnica, não avaliou satisfação.

Acuidade visual: longe e perto, e sob qual critério

As três séries de Presbyond de Reinstein e colaboradores mediram a visão de longe contra o critério mais exigente disponível — 20/20 binocular — e a de perto contra J2. Outras técnicas relatam resultados igualmente altos, mas contra critérios mais permissivos: 20/25 ou até 20/32.

Para entender melhor o que foi medido, 20/20 é a linha da nossa tabela do consultório que consideramos “100%”, 20/25 é uma linha um pouco maior, e 20/32 ainda maior. Só para exemplificar: 20/20 é uma TV 4K, 20/32 é uma TV mais antiga.

Acuidade visual de longe e de perto após Presbyond, READ, Supracor, PresbyMAX e PresbyLASIK, por critério
Figura 2 — Acuidade binocular por estudo. O critério aparece dentro de cada barra: 20/20 é mais exigente que 20/25 e 20/32; J2 é mais exigente que J3.

Nos míopes présbitas (310 olhos), o Presbyond levou 99% a 20/20 binocular e 96% a J2; nos emétropes présbitas (296 olhos), 98% e 96%. Nos hipermétropes présbitas (258 olhos) o desempenho de perto cai para 81% em J2 — a hipermetropia é o cenário mais difícil para qualquer técnica corneana, e o READ, também estudado em hipermétropes, entrega 91% em 20/20 e 83% em J3, um critério de perto um degrau abaixo de J2.

Vale registrar a contrapartida: no grupo hipermétrope, a taxa de retratamento do Presbyond foi de 22% na série de 2009 (ainda com LASIK com lâmina) e de 12,6% na série de 2026 (já com Femtosegundo), acima dos 5,3% observados nos míopes. A possibilidade de retoque é na verdade uma vantagem, pois o resultado pode ser ajustado, mas o paciente deve ser informado sobre essa possibilidade.

Já o Supracor apresentou perda de duas linhas de acuidade corrigida em 10,3% dos olhos aos 12 meses, segundo o estudo de Schlote e Heuberger publicado no European Journal of Ophthalmology — e 6% na série de Ryan e O’Keefe. Nas séries de Presbyond, nenhum olho perdeu duas ou mais linhas.

Sensibilidade ao contraste: a diferença mais consistente

Esta é a métrica em que a separação entre as técnicas é mais nítida. A revisão sistemática de Wierzbowska, Pniakowska e Roszkowska, publicada no Journal of Clinical Medicine em 2025, reuniu 13 estudos com 856 présbitas (1.712 olhos), com erros refrativos de −11,13 D a +5,75 D e seguimento de 3 a 30 meses, e classificou o que aconteceu com o contraste após cada tipo de tratamento.

“Ou melhora da sensibilidade ao contraste ou nenhuma alteração foi encontrada após o Presbyond Laser Blended Vision e o PresbyMAX Hybrid. Alguns autores relataram redução significativa do contraste após PresbyLASIK simétrico, LASIK guiado por wavefront e monovisão asférica.”

Sensibilidade ao contraste após cirurgia de presbiopia a laser, segundo revisão sistemática de 2025
Figura 3 — Direção da mudança na sensibilidade ao contraste, estudo a estudo, na revisão sistemática de Wierzbowska et al. (2025).

Entre os trabalhos revisados, quatro mostraram melhora significativa do contraste após o Presbyond e cinco não mostraram alteração — nenhum mostrou perda. O PresbyMAX Hybrid teve comportamento semelhante, sem alteração aos 3 e 6 meses e com melhora aos 12 meses no estudo de Luger e colaboradores. Já o PresbyLASIK simétrico, o LASIK guiado por wavefront e a monovisão asférica reduziram o contraste de forma estatisticamente significativa.

Na prática, isso significa melhor visão noturna, ao dirigir, em cinemas e em ambientes de baixa iluminação — a queixa mais frequente de quem se submete a técnicas multifocais, corneanas ou intraoculares.

Estereopsia: onde a diferença fica visível

Estereopsia é a capacidade de perceber profundidade a partir da diferença entre as imagens dos dois olhos. Mede-se em segundos de arco, e quanto menor o número, melhor. Abaixo de 100 segundos de arco, considera-se a visão tridimensional funcional para as tarefas do dia a dia.

Gráfico de estereopsia antes e depois da cirurgia comparando Presbyond e monovisão asférica, em segundos de arco
Figura 4 — Estereopsia pré e pós-operatória nos estudos reunidos pela revisão sistemática de 2025. Menor é melhor.

Os resultados do Presbyond são heterogêneos: dois estudos mostraram melhora (de 50 para 45 e de 215 para 169 segundos de arco) e dois mostraram piora (de 50,7 para 89,7 e de 56,3 para 95,6). Mesmo nos estudos em que piorou, porém, o resultado permaneceu abaixo de 100 segundos de arco — dentro da faixa funcional. Na série de Russo e colaboradores, 79% dos míopes e 85% dos hipermétropes mantiveram estereopsia funcional.

O contraste com a monovisão asférica é grande: no estudo de Alarcón e colaboradores, a estereopsia passou de 165,6 para 451,7 segundos de arco aos 3 meses — quase o triplo, e bem fora da faixa funcional.

Aqui, uma ressalva importante: as outras técnicas de correção a laser ou não mediram o resultado de estereopsia no pós operatório, ou optaram por não publicá-los.

A diferença que menos se comenta: o tamanho da evidência

Sobre quantidade de publicações, é onde a diferença é mais gritante. Existe mais evidência atrás de Presbyond do que de todas as outras técnicas a laser somadas. E isso foi o que mais pesou na minha decisão pessoal.

Volume de evidência publicada por técnica de correção da presbiopia, em número de olhos
Figura 5 — Olhos com desfechos visuais reportados em séries revisadas por pares, por técnica, com o seguimento e a população estudada.

O Presbyond acumula cerca de 1.438 olhos em seis séries publicadas entre 2009 e 2026, com seguimento de 6 a 13 meses, em centros diferentes e em três populações distintas — míopes, hipermétropes e emétropes présbitas — cobrindo de −8,3 D a +5,8 D. O READ tem uma série, de 130 olhos, com 6 meses de seguimento, apenas em hipermétropes. O Supracor soma 159 olhos em três séries; o PresbyMAX, 50 olhos em uma.

Isso não torna as outras técnicas ruins. Torna os resultados delas menos testados. Quando um resultado se repete em populações e centros diferentes, a chance de ele se reproduzir no meu consultório é maior. E é por isso que tendemos a escolher a técnica cujo comportamento é mais previsível.

Indicações e limitações por técnica

Técnica Indicação ideal Principais limitações
Presbyond LBV (ZEISS MEL 90 / MEL 80) Présbitas de 42 a 70 anos nas séries publicadas, ametropias de −8,3 a +5,8 D, exigência visual alta (pilotos, motoristas, esportistas) Neuroadaptação de 3 a 6 meses; depende de teste pré-operatório de tolerância à micro-anisometropia; retratamento de 5,3% em míopes e de 12,6% a 22% em hipermétropes
READ (perfil Custom-Q, plataforma WaveLight) Hipermétropes présbitas — única população com série publicada Evidência limitada a uma série de 130 olhos com 6 meses; sensibilidade ao contraste e estereopsia não avaliadas; olho dominante fica levemente hipermetrópico (média de +0,32 D)
PresbyMAX (Schwind) Présbitas com pouca tolerância à anisometropia Séries publicadas pequenas e de curto seguimento; resultados de contraste favoráveis, mas ainda pouco replicados
Supracor (Technolas / Bausch & Lomb) Hipermétropes présbitas com adição moderada Perda de duas linhas de CDVA em 6% a 10,3% dos olhos; retratamento de 6,8% a 22%; ofuscamento e flutuação visual; 75% repetiriam o procedimento aos 12 meses
PresbyLASIK simétrico Casos selecionados em centros com experiência Redução significativa da sensibilidade ao contraste a 3, 6, 12 e 18 cpd
Troca de cristalino transparente (RLE) Présbitas hipermetropes acima de 55 anos, com sinais iniciais de opacificação do cristalino Descolamento de retina em 1,85% (meta-análise de 2.036 olhos) e 3,2% a 3,6% em altos míopes; capsulotomia YAG em 61% dos altos míopes em 11 anos; riscos inerentes a qualquer cirurgia intraocular

Por que o Presbyond se destaca

Reunindo o que a literatura mostra, seis pontos explicam o desempenho da técnica:

  1. A profundidade de foco é ampliada nos dois olhos. O perfil asférico não linear aumenta de forma controlada a aberração esférica negativa em ambos, criando uma zona de sobreposição (a blend zone) em vez de dividir tarefas entre os olhos.
  2. É a única técnica sem nenhum estudo de perda de contraste na revisão sistemática de 2025: quatro estudos com melhora, cinco sem alteração, nenhum com redução.
  3. A estereopsia permaneceu na faixa funcional mesmo nos estudos em que piorou, ao contrário do que se observa na monovisão asférica.
  4. Foi medido contra o critério mais rigoroso — 20/20 binocular e J2 — e ainda assim apresentou os números mais altos entre as técnicas comparadas.
  5. A faixa de indicação validada é a mais ampla, incluindo míopes, hipermétropes e emétropes présbitas, de −8,3 D a +5,8 D.
  6. A seleção é feita antes da cirurgia. O teste de tolerância à micro-anisometropia funciona como filtro pré-operatório, o que reduz a chance de o paciente descobrir a incompatibilidade depois de operado.

Conclusão

Considerando a evidência disponível hoje, o Presbyond Laser Blended Vision é a opção mais equilibrada e mais bem documentada para a correção cirúrgica da presbiopia em pacientes sem catarata. Preserva a sensibilidade ao contraste, mantém a estereopsia em faixa funcional e é a única técnica validada em míopes, hipermétropes e emétropes présbitas por séries independentes.

Isso não significa que as demais técnicas sejam inadequadas. O READ tem resultados interessantes de acuidade em hipermétropes présbitas e merece mais estudos, sobretudo de contraste e estereopsia. E a troca de cristalino continua sendo a melhor escolha quando já existe opacificação do cristalino, pois nenhuma técnica corneana resolve uma catarata em formação. Se restar alguma dúvida pontual sobre o procedimento, reuni as mais comuns em perguntas frequentes sobre Presbyond e presbiopia.

Cada paciente, no entanto, é único. A indicação cirúrgica deve sempre ser personalizada após avaliação completa, considerando idade, refração, anatomia ocular, expectativas e estilo de vida. Se você está considerando uma cirurgia para presbiopia, agende sua avaliação para discutirmos qual técnica é a mais adequada para o seu caso.

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Dr. Hallim Féres Neto

Formado em Medicina pela Faculdade de Medicina do ABC em 2004, Residência em Oftalmologia pela Faculdade de Medicina do ABC em 2007 e especialização em Gestão em Saúde no Insper em 2015. É Cirurgião de segmento anterior no Hospital Israelita Albert Einstein desde 2010 Possui especialidade em: Cirurgia Refrativa, Catarata, Ceratocone e Adaptação de Lente de Contato